Produtos Tradicionais Portugueses

Produtos Tradicionais Portugueses

Cracas

Cracas

Descrição (dimensões, cor, aroma, textura): A craca, uma formação calcária, tipo casulo preso à rocha.

Delimitação da área geográfica de produção: Região Autónoma dos Açores.

Ingredientes utilizados: Cracas; cebola; salsa (ramo);alho (dente); Pimenta malagueta; água do mar.

Modo de preparação: Escolha as cracas e rejeite as partidas. Remova o calcário solto. Lave suavemente as cracas com água do mar e reserve. Descasque e corte a cebola em quartos e reserve, esmague o alho e reserve. Lave a salsa, ate num molho e reserve. Coloque numa panela, cubra de água e deixe descansar. Coloque a panela ao lume, e deixe levantar fervura. Quando levantar fervura junte os restantes ingredientes e deixe ferver cerca de 15 min. Terminado esse tempo, desligue o lume e deixe descansar cerca de cinco minutos. Retire as cracas com uma escumadeira e deixe arrefecer. Sirva frias. Na degustação, após remover o crustáceo do interior, o que se faz utilizando um pequeno gancho, aconselha-se beber a água do interior do nicho onde se encontrava o crustáceo.

Historial do produto: Erradamente considerado um molusco até meados do século XVIII, em finais do século XIX e após confirmação científica, é hoje aceite que a craca é um crustáceo pertencente à família das Cirrípedes. Este pequeno crustáceo marinho logo após o seu nascimento (cerca dos 4 meses) prende-se a um suporte (rocha) e passa ali o resto da sua vida. Imobilizado no suporte, alimenta-se de matéria orgânica em suspensão na água à sua volta, através dos membros flexíveis com os quais os explora. Vive em grandes colónias, regra geral até aos 10 a 15 metros de profundidade, podendo em alguns casos chegar aos 30 metros. São apanhadas no litoral, em mergulho de apneia entre os 3 e os 10 metros. Emersa quando a maré baixa, pode sobreviver graças às suas placas de protecção no orifício do topo do cone que fecha conservando a água no seu interior. Hermafrodita ou bissexuadas, cerca de 97% das espécies podem fecundar-se individualmente, com uma relação directa entre a quantidade de alimento e o tempo médio de vida inversamente proporcional.
Fonte: Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas