Produtos Tradicionais Portugueses

Produtos Tradicionais Portugueses

Pão de Centeio de Barroso

Pão de Centeio de Barroso

Descrição: Pão feito com farinha de centeio, água, fermento e sal. O fermento é artesanal e obtém-se deixando a massa de pão de uns dias para os outros, numa bacia coberta com um pano e em lugar fresco e arejado. A sua forma é redonda ou ovalada e o seu peso é de 3 kg.

Região: Norte.

Particularidade: Pão de centeio escuro.

História: O Padre Lourenço Fontes, referindo-se ao comunitarismo do Barroso, escreve: «Normalmente há duas refeições: o jantar e a ceia. Mas o almoço e a merenda sempre se fazem. Também alguns, antes do almoço, têm o mata-bicho — um trago de aguardente com pão de centeio, ao levantar da cama.» Antigamente todo o pão era cozido no forno comunitário, como nos diz a Sr.ª Dª Ana Gonçalves da Fonte, de 73 anos de idade (e 60 como padeira), natural de Montalegre. Essa senhora aprendeu a cozer pão com a avó e a mãe, já falecidas, e que usavam o «forno do povo». Algum tempo antes do nascimento da Sr.ª Dª Ana e na mesma rua onde ainda hoje existe o forno comunitário, a sua mãe construiu um forno de granito forrado a tijolo pois «demora menos tempo a aquecer e a cozer». Este forno ainda é utilizado pela Sr.ª Dª Ana da Fonte, padeira muito conhecida pela qualidade do seu pão de centeio cozido no forno tradicional, o qual trabalha apenas com lenha miúda.

Uso: Consumido a todas as refeições e a qualquer hora do dia.

Saber fazer: Num alguidar deita-se a farinha de centeio e, num poço central, o fermento, o sal e a água tépida. Amassa-se muito bem. A massa é depois colocada num cesto, coberto de panos e em local com temperatura estável para levedar. Depois de levedada a massa fazem-se os pães em forma de bolas e deixam-se repousar durante 30 minutos dependendo da temperatura ambiente e até que apresentem rachadelas. Coze aproximadamente durante 1 h e 15 min. O forno do povo ainda é usado por particulares e as suas fornadas são para consumo próprio.

Fonte: Produtos Tradicionais Portugueses, Lisboa, DGDR, 2001