Produtos Tradicionais Portugueses

Produtos Tradicionais Portugueses

Melão da Vilariça

Melão da Vilariça

Descrição: Fruto de forma oblonga, de casca rugosa e de cor amarelo-esverdeada, com a polpa cor de salmão. O Melão da Vilariça é obtido a partir da cultivar Casca de Carvalho, conhecida na região por Carrasco. O seu aroma é muito ativo, o sabor agradável e doce.

Região: Norte.

Particularidade: Fruto extremamente aromático que, por vezes, atinge um peso de 5 kg.

História: Na descrição presente na Memória das Notícias que El-Rei Nosso Senhor ordena que se deam a Academia Real da História Portuguesa, da Camara desta Vila de Torre de Memcorvo e lugares de seu termo (1721) afirma-se: «… e para o regalo os excelentes melões da Vilariça». Também o cónego Marrana descreve arraiais antigos nos quais a secção de fruta era preenchida pelo melão e melancia da Vilariça, que para ali vinham as cargas e às carradas, sendo depositadas por detrás e ao lado direito da Capela». Num Dicionário de todas as cidades Villas e Freguezias de Portugal, editado em 1885, encontra-se a seguinte menção a este fruto: «… sendo contínuos os carretões de pão, vinho, castanha, melões, cereja, uvas e outras frutas do tempo».

Uso: Consumido como entrada, sobremesa ou ainda como refrescante, pela tardinha.

Saber fazer: Tradicionalmente faziam-se duas a três lavras do solo, sendo a última acompanhada de gradagem. A primeira era feita em janeiro/fevereiro, a segunda em março e a terceira em abril. A sementeira era feita com as sementes dos melhores exemplares do ano transacto, sendo as características valorizadas o tamanho, a doçura e o aroma. As sementes eram secas ao sol nos primeiros dias e, depois, acabavam a secagem à sombra. Para a sementeira marcavam-se canteiros com largura de 10 m e de comprimento variável (dependia do terreno arável). Nestes canteiros abriam-se poços intervalados de 2 m e, em cada um, introduziam-se 10 a 12 sementes. Após germinação e quando a planta tinha 10 a 15 cm, desbastava-se de modo a só ficarem 3 a 4 plantas. Não se praticavam adubações porque as inundações periódicas do rio arrastavam detritos considerados suficientes para a adubação. Dada a sensibilidade da planta às infestantes, praticavam-se duas sachas, uma quando a planta tinha um palmo e a outra (chamada arrasamento) quando as hastes tinham de 0,50 a 1 m. Faziam-se duas regas e, excepcionalmente, uma terceira, se o tempo decorresse excessivamente seco. A colheita começava no dia 15 de agosto e prolongava-se até setembro.

Fonte: Produtos Tradicionais Portugueses, Lisboa, DGDR, 2001