Sidra da Madeira IGP

Descrição: A SIDRA DA MADEIRA é a bebida obtida a partir da fermentação do mosto natural resultante da prensagem de maçãs frescas (Malus domestica Borkh.) e, por vezes, também de misturas de maçãs e peras frescas (Pyrus communis L.), das variedades tradicionais e de outras variedades destas espécies produzidas na ilha da Madeira.
Consoante as combinações das variedades e espécies de frutos frescos que lhe dão origem, a SIDRA DA MADEIRA pode apresentar uma coloração que vai do citrino brilhante ao amarelo palha, com nuances alaranjadas e ser de aspeto turvo ou mais límpido quando filtrada.
Normalmente é tranquila, pouco doce e leve no corpo e evolui demonstrando harmonia entre a acidez e o amargor, terminando seca e distinguindo-se pela forte presença da maçã no aroma e no sabor e pela frescura conferida pela sua singular acidez.

Método de produção: A SIDRA DA MADEIRA é elaborada a partir de frutos frescos de maçãs e eventualmente de misturas de maçãs e peras, exclusivamente de produção local. Os frutos maduros, após seleção e lavagem, são triturados e prensados para extração do mosto natural que é colocado em vasilhas de madeira, tanques de inox ou outros reservatórios, onde se inicia a fermentação. Nesta fase pode misturar-se de mostos naturais de diferentes variedades de maçã e pera obtidas na área geográfica delimitada.
A fermentação geralmente decorre apenas com os compostos naturais e as condições provenientes dos frutos e com os microrganismos do mosto e dos recipientes de fermentação. Contudo, podem ser utilizados auxiliares tecnológicos e realizadas práticas e tratamentos enológicos aprovados para sidra, incluindo os destinados à obtenção de outros tipos de sidras naturais, como sidra doce, espumante, aromatizada ou gaseificada.
A experiência acumulada ao longo de gerações, em cada zona de produção, determina que os produtores saibam quanto tempo após a “fervura do mosto” acabar, a sidra deve repousar para a sua estabilização. Contudo, a SIDRA DA MADEIRA destaca-se por manter uma marcada acidez maioritariamente proveniente do efeito dos solos ácidos da ilha, nos frutos que lhe dão origem. Concluído esse repouso, a SIDRA DA MADEIRA está pronta, podendo fazer-se a mistura de sidras de diferentes recipientes para obter uma produção com características mais homogéneas ou ser trasfegada para barricas ou pipas de madeira ou para reservatórios mais inertes como tanques de inox ou outros, onde decorre o estágio ou é conservada até o engarrafamento ou preparação para colocação no mercado como não pré-embalada.
A SIDRA DA MADEIRA apresenta-se no mercado como sidra engarrafada ou como sidra não pré-embalada, acondicionada em recipientes próprios para comercialização em estabelecimentos da restauração e de bebidas.

Características particulares: O que distingue os diferentes tipos de SIDRA DA MADEIRA e determina as características próprias de cor, aroma e acidez assinalável muito apreciadas pelos consumidores madeirenses e visitantes, é que são sidras que resultam exclusivamente da fermentação do sumo natural proveniente da prensagem de frutos frescos de maçãs e peras, das variedades tradicionais e de outras variedades destas espécies, cultivadas e colhidas nas várias localidades da ilha da Madeira, com microclimas mais temperados e solos de acidez acentuada, sendo obtidas segundo modos de produção tradicionais e/ou particulares.

Área de produção: Todas as etapas da laboração da SIDRA DA MADEIRA, desde a produção da matéria-prima essencial, às operações de extração do mosto natural, à fermentação, ao estágio e conservação e à sua preparação para colocação no mercado, decorrem na ilha da Madeira.

História: A origem vulcânica e marcada orografia da ilha da Madeira e a sua localização na região subtropical do Atlântico Norte, determinam a existência de uma grande variedade de microclimas que possibilitaram o aclimatação das espécies vegetais que foram introduzidas na ilha pelos primeiros povoadores portugueses e entre as quais se encontravam variedades de maçãs e peras que encontraram as melhores condições, em várias localidades acima dos 500 metros na vertente sul e dos 300 metros de altitude na vertente norte da ilha, com solos predominantemente argiloarenosos e com pH semiácido a ácido, que contribuem para a vincada acidez dos peros e maçãs produzidos localmente.
Acredita-se que a produção de sidra na ilha da Madeira começou pouco após o povoamento, porque existem referências de que era possível encontrar sidra, então denominada de “vinho de peros”, entre os mantimentos que os Navegadores Portuguesas vinham buscar à ilha da Madeira, a partir do início do século XVI.
A facilidade de disseminação das pomóideas, permitiu o surgimento de numerosas variedades tradicionais de maçãs e de peras, provenientes das inicialmente instaladas pelos portugueses e das, posteriormente, introduzidas pelos ingleses entre os séculos XVI e XVIII. A partir do início século XVII, a produção deste “vinho de peros” acompanhou o desenvolvimento e a produção do distinto e altamente procurado Vinho Madeira, utilizando os mesmos lagares e até adulterando-o nos tempos de crise.
No início do século XX passou a ser proibida a prática da vinificação de peros e maçãs para a produção de falso Vinho Madeira. O engenheiro agrônomo João da Mota Prego (1859-1931) publicou em agosto de 1906 no jornal “Heraldo da Madeira”, um artigo sobre o procedimento de “Fabricação de cidra na Madeira”, revelando os cuidados adotados e os resultados obtido, o que inspirou muitos produtores a retomar a produção de cidra. Assim, muitos produtores passaram a fermentar o sumo fresco das suas maças e peros, para a produção de “uma nova bebida” que passaram a designar primeiro de “cidra” e, mais recentemente, de “sidra”, já que na Madeira cidra corresponde ao fruto da cidreira (Citrus medica).
A existência destas referências históricas que, nos últimos 600 anos, documentam a importância da produção "vinho de peros", "cidra" e "sidra" na ilha da Madeira, leva os produtores locais a afirmarem que a sua produção se mantém ativa desde o povoamento até a atualidade, nas localidades mais propícias à propagação dos pomares, o que justifica que a tradição de produção e consumo de sidra seja tão representativa, principalmente nas freguesias do Santo António da Serra-Machico, da Camacha, de São Roque do Faial, do Jardim da Serra, da Ponta do Pargo e dos Prazeres, onde todos os anos são realizados eventos etnográficos e socioculturais destinados à divulgação e à promoção da produção da SIDRA DA MADEIRA e dos frutos que lhe dão origem.

Caderno de especificações (pdf)

Agrupamento de produtores
APSRAM - Associação de Produtores de Sidra da Região Autónoma da Madeira

Organismo de controlo e certificação
CTAC-RAM - Comissão Técnica de Avaliação da Conformidade dos Produtos Agrícolas e dos Géneros Alimentícios da Região Autónoma da Madeira

Publicação jornal oficial da EU

Publicação em DR