Produtos Tradicionais Portugueses

Produtos Tradicionais Portugueses

Maranhos da Sertã

Maranhos da Sertã

Descrição: Enchido de carne de borrego ou de cabrito, em estômago do mesmo animal, recheado com carne, presunto, arroz cru, vinho e azeite em partes iguais, temperado com alho, salsa e hortelã. Tem forma arredondada e cor esbranquiçada. Pesa cerca de 400 g.

Região: Centro.

Outras denominações: Borlhões. Burulhões. Bandovas.

Particularidade: Estômago de borrego ou de cabrito recheado com carnes diversas, arroz e ervas aromáticas.

História: Este enchido é conhecido na região há pelo menos dois séculos. julga-se que a sua origem se prendeu com a necessidade de aproveitar os estômagos do borrego e do cabrito, extremamente abundantes na região. Este produto terá sido decalcado dos buchos recheados, cujo fabrico é corrente no Alentejo (zona contígua à da Beira Baixa) e que são produzidos a partir do estômago do porco.

Uso: Tradicionalmente os Maranhos eram consumidos entre o Natal e a Páscoa, época em que eram abatidos os jovens animais. Como a sua conservação é diminuta, os Maranhos eram consumidos rapidamente após a confeção, sendo considerados um petisco de luxo para oferecer a convidados de honra. Depois de alourados no forno, os Maranhos são servidos cortados às fatias e acompanhados de salada de alface, de tomate ou de legumes cozidos (grelos de nabo ou grelos de couve, bem amargos, para «cortar» a gordura própria do enchido).

Saber fazer: Lava-se muito bem o bucho em águas quentes e frias, raspa-se com uma faca e esfrega-se com sumo de limão. Cortam-se as carnes em bocados pequenos e misturam-se com sal e alho picado. junta-se vinho branco, azeite e arroz lavado e cru, salsa e hortelã finamente picados. Enchem-se os estômagos dos animais com este preparado, tendo o Cuidado de deixar espaço para o arroz «inchar» durante a cozedura. Fecham-se as aberturas, cosendo-as com uma agulha e linha. São depois cozidos em água temperada de sal. Após esta preparação, os Maranhos são barrados com azeite e vão ao forno bem quente, para alourarem.

Fonte: Produtos Tradicionais Portugueses, Lisboa, DGDR, 2001