Descrição: Designa-se por «Sal de Castro Marim / Flor de Sal de Castro Marim» o sal marinho obtido nas salinas tradicionais de Castro Marim, utilizando processos manuais. Trata-se de um sal destinado ao consumo na alimentação humana, não refinado, não lavado após colheita, não transformado quimicamente e sem aditivos.
Sal de Castro Marim:
Forma-se no fundo dos cristalizadores, por deposição de sais, sob a forma de grão de pequenos cristais cúbicos, duros e translúcidos, de arestas vivas e irregulares, de peso, tamanho e constituição muito variável. Os cristais apenas são quebráveis por moagem. Tem cor naturalmente branca e brilhante, pode apresentar-se tal qual ou moído, e o seu sabor é modelado consoante os diversos sais minerais e oligoelementos presentes.
Flor de Sal de Castro Marim:
Resulta de uma fina película flutuante que se forma na superfície da água dos cristalizadores. Apresenta-se sob a forma de pequenos cristais muito leves, dispostos em palhetas, que se quebram facilmente com o manusear, transformando-se em pó se esmagados com os dedos. De cor branca, dissolve-se facilmente na boca e praticamente sem líquido. O sabor é salgado e suave.
Método de produção: Com o início da cristalização, pode então ocorrer a colheita de Flor de Sal de Castro Marim e/ou Sal de Castro Marim. A Flor de Sal de Castro Marim é o primeiro produto a formar-se, assim que a água nos talhos atinge a saturação necessária para o início da cristalização. Inicia-te também a deposição do Sal de Castro Marim no fundo do cristalizador. Dia após dia, o volume de água vai-se reduzindo rapidamente no talho, devido à evaporação, e este é novamente alimentado com água-forte pelo mestre de águas. Ao fim de três a seis semanas, consoante as condições climáticas, deixa-se de alimentar os talhos da marinha e procede-se à recolha do Sal de Castro Marim.
Características particulares: As características físicas do Sal de Castro Marim / Flor de Sal de Castro Marim resultam da elevada velocidade de cristalização, da baixa quantidade de matérias insolúveis presente e do saber acumulado nos processos manuais de manutenção das salinas, gestão das águas e de recolha do sal. A baixa quantidade de matéria insolúvel está intimamente ligada ao processo de decantação natural da água, à densidade das argilas do solo e à intensidade do vento registada durante a colheita do sal, que sendo em regra mais suave e constante nesta época, não arrasta, portanto, um grande número de partículas para a superfície do cristalizador. Outro fator que explica a brancura deste sal é a altura e vegetação dos muros das salinas, que protegem os cristalizadores do vento. A conjugação destes fatores faz com que o sal marinho e a flor de sal extraídos possuam poucas impurezas, mantendo assim a sua brancura natural.
Área geográfica: As salinas onde se recolhe o Sal de Castro Marim / Flor de Sal de Castro Marim situam-se na Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António. Administrativamente, a área geográfica delimitada encontra-se circunscrita às freguesias de Castro Marim, Vila Real de Santo António e Monte Gordo.
História: O Sal de Castro Marim / Flor de Sal de Castro Marim é característico da sua origem, sendo resultado do clima específico do local, da constituição dos solos das salinas e sua riqueza mineral alcançada pela produção contínua centenária de sal, do teor de minerais e pureza da água salgada desta localização e do processo manual aperfeiçoado localmente ao longo de séculos utilizado para o obter e preservar as suas características.
Na Época Romana, entre o século I e século IV da nossa era, o sal aparece associado aos centros de transformação de pescado no litoral algarvio. A primeira referência escrita sobre o sal de Castro Marim remonta aos finais da Idade Média e corresponde à primeira Carta de Foral, outorgada por D. Afonso III, com data de 8 de Julho de 1277.
Caderno de especificações (pdf)
Agrupamento de produtores
Terras de Sal - Comércio e Transformação de Sal Marinho Artesanal CRL
Organismo de controlo e certificação
Kiwa Sativa – Unipessoal, Lda.
Plano de controlo
Plano de controlo (pdf)































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