Carnalentejana DOP

Descrição: A Carnalentejana DOP é obtida a partir de bovinos da raça Alentejana. Trata-se de uma carne de gordura uniformente distribuída e não excessiva, de pH inferior a 6. Possui cor vermelha a vermelha escura. Meias carcaças, quartos de carcaças, peças embaladas em vácuo ou em atmosfera controlada, bem como os seus preparados, refrigerados ou congelados, obtidos a partir de animais da Raça Alentejana inscritos no Livro de Nascimentos da Raça Bovina Alentejana.

Método de produção: A partir de animais de Raça Alentejana, inscritos no Livro de Nascimento e filhos de pais e mães inscritos no Livro Genealógico da Raça Bovina Alentejana, criados em sistema extensivo, com encabeçamentos inferiores a 1,4 CN/ha, conforme as práticas tradicionais da região. Os bezerros até aos 6-9 meses são amamentados pelas mães, sendo a sua alimentação gradualmente complementada com pastagem e com alimentos concentrados autorizados pelo Agrupamento. Estão definidas e tipificadas as classes etárias para abate, bem como as regras de alimentação e maneio dos animais.

Características particulares: As características distintivas da Carnalentejana DOP devem-se particularmente à dieta natural dos bovinos, que confere à carne características organolépticas distintas. É definida como bastante saborosa e suculenta.
A Raça Alentejana encontra-se em explorações agro-pecuárias localizadas na região do Alentejo e limítrofes, com condições agro-climáticas marcadamente mediterrânicas, com verões quentes e secos e pastagens espontâneas tipicamente mediterrânicas, o que confere à carne características organolépticas diferenciadas. Os núcleos de produção são normalmente caracterizados por vacadas de algumas dezenas de fêmeas em reprodução, criadas em regime extensivo, em explorações onde a produção pecuária se efetua normalmente em simbiose com a produção de cereais. A complementaridade destas duas produções ao longo dos tempos tem sido uma constante. O aproveitamento das palhas e restolhos dos cereais pelos bovinos alentejanos, constitui pratica normal e imprescindível à manutenção dos efetivos logo que as pastagens naturais começam a rarear, ou seja, durante o período que se estende desde o principio do Verão até ao Inverno. As zonas de pastoreio localizam-se normalmente em sob-coberto dos montados de azinho e sobro, cujas bolotas e landes permitem dispor de uma reserva alimentar a partir do Outono, excelente complemento para a erva ainda de pouco valor nutritivo nessa época do ano.

Área de produção: A área geográfica de produção da Carnalentejana DOP abrange todos os Concelhos do Distrito de Beja, Évora e Portalegre, os Concelhos de Alcácer do Sal, Alcochete, Grândola Montijo, Moita, Palmela, Setúbal, Santiago do Cacém e Sines, do Distrito de Setúbal, os concelhos de Abrantes, Almeirim, Alpiarça, Benavente, Chamusca, Constância, Coruche, Golegã, Mação, Salvaterra de Magos, Santarém, Sardoal e Vila Nova da Barquinha, do Distrito de Santarém e os concelhos de Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Proença-a-Nova e Vila Velha de Ródão, do Distrito de Castelo Branco.

História: A história da Carnalentejana DOP encontra-se ligada à raça bovina da raça Alentejana, sendo o seu primeiro registo bibliográfico efetuado em 1870. Os animais eram utilizados para trabalho na agricultura, devido à sua resistência física.
Os animais eram abatidos ao chegarem à fase adulta, exceto alguns que eram mantidos para reprodução e trabalho de campo.
Após a Segunda Guerra Mundial, através de seleções rigorosas e do melhoramento, foi possível conhecer e desenvolver as potencialidades desta raça para a produção de carne. O método de produção foi modificado, de forma a que os animais aproveitassem os recursos naturais existentes na região.

Marca de certificação

Marca Carnalentejana

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Caderno de especificações (pdf)

Área geográfica

Agrupamento de produtores
CARNALENTEJANA S. A. - Agrupamento de Produtores de Bovinos da Raça Alentejana

Organismo de controlo e certificação
CERTIS -Controlo e Certificação, Lda.

Plano de controlo
Plano de controlo (pdf)

Publicação jornal oficial UE
Regulamento (CE) N.º 730/2008 da Comissão - L 200/8 – 29.07.2008
Regulamento (CE) N.º 510/2006 do Conselho - C 255/58 – 27.10.2007
Retificação ao Regulamento (CE) n.º 1107/96 da Comissão – L290 13.11.1996
Reg. (CE) n.º 1107/96 - L148 12.06.1996

Publicação em DR
Aviso n.º 2600/2005 (2ª série), de 15.03.2005
Despacho n.º 18910/2002 (2ª série), de 26.08.2002
Despacho n.º 2201/2002 (2ª série), de 28.01.2002
Aviso n.º 2932/2001 (2ª série), de 20.02.2001

Rectificação n.º 1820/2000(2ª série), de 03.07.2000
Aviso n.º 7665/2000, de 04.05.2000

Despacho n.º 5/94, de 26.01.1994

Aviso (2ª série), de 26.01.1994
Alentejana 1 rd

Padrão da Raça Bovina Alentejana
Conforme descrito por Ralo (1987) e definido no Regulamento do Livro Genealógico os bovinos da Raça Alentejana caracterizam-se morfologicamente do seguinte modo:

Pelagem – Vermelha, podendo ir do retinto ao trigueiro, sendo os pêlos todos da mesma cor. São excluídos da raça, animais com interpolações de pêlos brancos ou pretos em qualquer zona do corpo, exceto na borla da cauda onde se permitem os pêlos brancos interpolados. As aberturas naturais são de cor rosada e normalmente desprovidas de pêlos, podendo ter várias tonalidades de rosa;
Cabeça – Bem desenvolvida e com um tamanho considerável. A sua maior largura é por cima dos olhos, o chanfro é reto ou ligeiramente convexo. A marrafa é de forma arredondada e coberta por pêlos mais desenvolvidos, que podem ser encaracolados; Os cornos são simétricos e de considerável desenvolvimento nos animais adultos, a sua cor é o branco sujo com as pontas mais escuras, quase pretas. "Nascem” no prolongamento da marrafa e quando despontam é sempre com uma ligeira curvatura para a parte de trás da cabeça do animal, apresentando um crescimento sempre voltado para baixo, e depois dobram-se para a frente do animal tomando formas pouco variáveis; As orelhas encontram-se por baixo dos cornos e ligeiramente mais atrás do que estes, saem na horizontal e são revestidas de pêlos, com tamanho considerável, especialmente no bordo superior;
Pescoço – Horizontal com comprimento médio e com um diâmetro considerável. Nos machos é uma zona de deposição de gordura formando o “murrilho” ou “cachaço”;
Dorso e o lombo – Bem conformados e com tendência para o retilíneo, tendo uma largura média;
Alentejana 2Garupa – Comprida, bem musculada, em alguns casos descaída lateralmente, mas esta deiscência lateral tende a diminuir. A inserção do rabo é feita sobre a garupa, dando origem ao chamado rabo "apombinhado", pois sobressai muito a "pombinha". Com o diminuir da deiscência das faces laterais da garupa a inserção do rabo tende a ser cada vez menos saliente, tornando-se correta;
Membros – Bem aprumados, em alguns casos com os posteriores um pouco fechados, pois juntam nos curvilhões, devido à aproximação exagerada entre os ísquios. Esta aproximação tem sido corrigida pelos criadores, através da seleção de animais com aprumos corretos.

Fonte:
Associação dos Criadores de Bovinos da Raça Alentejana
Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV)