Mel-de-Cana

Descrição: Produto xaroposo de cor castanho-escura, com elevado grau de pureza, com açúcares altamente solúveis e não cristalizados. De um modo geral, é comercializado em frascos de vidro.

Região: Região Autónoma da Madeira.

Outras denominações: Mel-da-Madeira.

Particularidade: Produto xaroposo, com cheiro e sabor próprios, obtido a partir de sumo da cana sacarina.

História: A produção de Mel-de-Cana tem acompanhado o cultivo da cana sacarina. J. A. Ribeiro refere na publicação A Cana de Açúcar na Madeira — séculos
XVIII-XX que «...em 1620 exportou-se mel e remel, provenientes da transformação de cana dos engenhos. E, a partir de 1736, a importação de açúcar brasileiro..., deram o golpe de morte aos engenhos madeirenses, por não se produzir senão um mínimo de mel de consumo doméstico ou confeitaria» (Ilhas de Zargo). No Elucidário Madeirense surge-nos uma referência à utilização do Mel-de-Cana na doçaria madeirense respeitante ao triénio de 1813-1815.

Uso: Muito utilizado na doçaria tradicional madeirense, constituindo um ingrediente imprescindível na feitura de bolos (não esquecendo o tradicional bolo de mel-de-cana) e biscoitos característicos da região. O Mel-de-Cana também pode ser consumido tal e qual, como complemento das malassadas, sonhos e rabanadas, conferindo-lhes um sabor extremamente agradável, ou simplesmente para barrar o pão. Este produto tem uma grande procura na época do Natal por ser um ingrediente muito utilizado na doçaria tradicional desta ocasião festiva.

Saber fazer: Resulta da clarificação, depuração (por filtração) e concentração de guarapa (sumo de cana) resultante da espremedura da cana sacarina, em que parte da sacarose é invertida para dar origem a um produto com açúcares altamente solúveis, estável e consequentemente livre de cristalização. Trata-se de um produto de alta pureza, obtido por concentração direta em caldeira de vácuo, sem remoção do açúcar, até aos 38,5° Baumé.

Fonte: Produtos Tradicionais Portugueses, Lisboa, DGDR, 2001