Sal de Rio Maior /Flor de Sal de Rio Maior

Descrição: Designa-se por “Sal de Rio Maior” e “Flor de Sal de Rio Maior” o sal de fonte salina obtido através de colheita manual, a partir do processo natural de precipitação de águas salinas subterrâneas, constituído por água, cloreto de sódio e outros sais minerais e oligoelementos, exclusivamente provenientes dessa água. Trata-se de um sal não refinado, não lavado após colheita e sem aditivos. Dependendo das condições de formação e do modo de colheita, apresenta-se sob a forma de “Sal de Rio Maior” (cristais de sal de forma cúbica, incolores e transparentes, de sabor salgado característico) ou sob a forma de “Flor de Sal de Rio Maior” (pequenos cristais, alguns dos quais dispostos em pequenas lâminas e que flutuam na superfície da água dos cristalizadores).

Características particulares: As salinas de Rio Maior são as únicas salinas de interior e o único caso de exploração de uma salmoura subterrânea, em Portugal. Uma mina de sal-gema, extensa e profunda, é atravessada por uma corrente subterrânea e alimenta um poço de onde se extrai água, sete vezes mais salgada que a do Oceano Atlântico.
Área geográfica: As salinas naturais de Rio Maior estão situadas no sopé da Serra dos Candeeiros no concelho de Rio Maior. Administrativamente, a área geográfica delimitada encontra-se circunscrita à freguesia de Rio Maior.

Região: Centro

Modo de produção: A produção de sal consiste no processo de evaporação da água sob a ação de fatores climáticos (sol e do vento) que origina um aumento de concentração e de posterior cristalização de sais. A laboração das salinas decorre normalmente entre maio e setembro, quando há condições meteorológicas para a evaporação da salmoura. Em média, a produção diária de sal é de cerca de 10 toneladas, mas em agosto pode chegar às 18 toneladas. A média anual é da ordem das 1.700 toneladas. O processo de exploração não difere, na sua essência, do das salinas de mar. No centro da exploração, destaca-se o poço de onde se extrai a água salgada, com cerca de 4 metros de diâmetro e 9 metros de profundidade. A água salgada é retirada do poço através de uma moto-bomba que a conduz para os tanques concentradores, ou esgoteiros, onde fica a aquecer, para aumentar a concentração. Os concentradores são constituídos por oito tanques (15.000 m2), com capacidade para um milhão de litros de água, comunicantes entre si, através dos quais a água vai evaporando. Os concentradores têm também a função de armazenar a água de forma a minimizar os problemas decorrentes da flutuação do caudal no poço. A água já concentrada, volta à pia de distribuição, que se encontra junto ao poço e daí é distribuída através de um sistema de canais, as regueiras, para os talhos, uma espécie de tabuleiros com chão de cimento ou de pedra, de tamanho variável e pouco profundos, onde se processa a evaporação e o sal cristaliza. Entre os talhos distinguem-se muretes baixos, que além do mais, servem ao trânsito dos salineiros. O tempo de evaporação varia entre dois e seis dias, em função das condições atmosféricas, o que permite que cada talho produza sal semanalmente. A “Flor de Sal de Rio Maior” é constituída pelos cristais de sal que se formam à superfície da água durante a produção de sal. É colhida manualmente por extração da suspensão de coalho que se forma nos talhos, com a ajuda de um instrumento específico, antes de se precipitar no fundo dos viveiros.

Saber fazer: Ao longo dos séculos, a exploração das salinas fez-se recorrendo à utilização de técnicas e instrumentos tradicionais no processo de produção. A maioria dos produtores de sal era agricultor, que se dedicaria sazonalmente (de Maio a Setembro) à produção de sal. Este saber-fazer tradicional foi transmitido de geração em geração e manteve-se até aos dias de hoje.

Formas de comercialização: O «Sal de Rio Maior» pode apresentar-se tal qual ou moído e tanto o «Sal de Rio Maior» como a «Flor de Sal de Rio Maior» podem ser aromatizados com misturas de especiarias e/ou ervas aromáticas, sendo depois acondicionados em recipientes destinados à venda ao consumidor final.

Disponibilidade do produto ao longo do ano: Durante todo o ano.

Historial do produto: As salinas de Rio Maior têm oito séculos de História, datando a exploração das salinas do último quartel do séc. XII. Em 1177, início “documentado” da história das Marinhas de Rio Maior, Pêro d’Aragão e sua mulher Sancha Soares venderam aos Templários “a quinta parte que tinham do poço e das Salinas de Rio Maior, cujo poço partia pelo Este com Albergaria do Rei; pelo Oeste com D. Pardo e com a Ordem do Hospital; pelo Norte com Marinhas da mesma Ordem; e pelo Sul com Marinhas do dito D. Pardo”. Com essa venda fica evidente que à época, parte do poço e das salinas já pertenciam e eram exploradas por particulares.
O poço atual terá sido aberto, segundo a tradição, devido ao acaso. Para mitigar a sede, uma rapariga que apascentava uns jumentos, tentou beber numa poça de água que aflorava num juncal. O sabor fortemente salgado foi-lhe extremamente desagradável tendo comentado o sucedido quando chegou a casa. Seu pai e vizinhos apressaram-se a ir cavar em tal sítio de onde surgiu então o poço atual, tendo secado depois o primitivo.
Representatividade na alimentação local: A extração de sal conseguiu adaptar-se a uma economia competitiva, mantendo ao mesmo tempo a tipicidade que distingue este território e que interessa preservar e valorizar: as atividades desenvolvidas nas Marinhas do Sal não se encerram na extração de sal de fonte salina. Existe toda uma vertente de turismo cultural que promove este local de características únicas.

Fonte: DGADR, com base em elementos cedidos pela Cooperativa Agrícola dos Produtores de Sal de Rio Maior, CRL.

Foto: DGADR