Sal de Castro Marim

Descrição: Designa-se por “Sal de Castro Marim” e “Flor de Sal de Castro Marim” o sal marinho obtido através de colheita manual, a partir do processo natural de precipitação da água do oceano atlântico, constituído por água, cloreto de sódio e outros sais minerais e oligoelementos, exclusivamente provenientes da água do mar. Trata-se de um sal não refinado, não lavado após colheita e sem aditivos. Dependendo das condições de formação e do modo de colheita, apresenta-se sob a forma de “Sal de Castro Marim” (cristais de sal de forma cúbica, incolores e transparentes, de sabor salgado característico) ou sob a forma de “Flor de Sal de Castro Marim” (pequenos cristais, alguns dos quais dispostos em pequenas lâminas e que flutuam na superfície da água dos cristalizadores).

Características particulares: A composição química de “Sal de Castro Marim”/”Flor de Sal de Castro Marim”, com elevadas concentrações de sais, nomeadamente de magnésio, cálcio e potássio, resulta da composição das águas que alimentam as salinas (água do rio Guadiana, do mar Atlântico Norte e da Baía de Cádiz) e do tipo de solo dos viveiros e dos cristalizadores (aluviões de textura pesada) que apresentam uma grande quantidade de sais, os quais se têm depositado no local desde há 8000 anos. A brancura do “Sal de Castro Marim”/”Flor de Sal de Castro Marim” explica-se pela intensidade constante do vento durante a colheita do sal, que não arrasta um grande número de partículas para a superfície do cristalizador e também pela altura dos muros das salinas, que protegem os cristalizadores do vento. A conjugação destes fatores faz com que o sal marinho e a flor de sal extraídos possuam poucas impurezas, mantendo assim a sua brancura natural.

Área geográfica: As salinas onde se produz “Sal de Castro Marim”/”Flor de Sal de Castro Marim” estão situadas na Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António.

Região: Algarve

Modo de Produção: Uma salina tradicional consiste num conjunto de vários reservatórios dispostos de forma geométrica, seguindo um determinado padrão. A sua disposição permite a entrada de água proveniente das marés vivas, o seu armazenamento e, em seguida a sua circulação por meio de gravidade que, conjuntamente com a ação de vários agentes do clima, permite a extração do sal e da flor de sal. A água do mar é admitida em grandes tanques naturais em argila (viveiros) durante as marés-cheias de maior amplitude. Esta água é depois admitida numa sequência de tanques de profundidade decrescente (com funções de decantação e evaporação). No final, estando já a água com uma concentração salina muito elevada, é admitida em tanques de pequena dimensão (tanques de cristalização) onde a solução salina cristaliza. O movimento de águas é totalmente efetuado por gravidade. A flor de sal forma-se à superfície dos tanques de cristalização e é recolhida diariamente, de forma manual, com auxílio de utensílios apropriados. É colocada a escorrer e secar ao sol e vento em pequenas quantidades, sendo depois embalada e armazenada.

Saber fazer: A utilização de técnicas e instrumentos tradicionais no processo de produção, constitui um fator essencial para que o “Sal de Castro Marim”/”Flor de Sal de Castro Marim” possua as características pelas quais é reconhecido. Esta atividade é passada de geração em geração, mantendo-se o saber-fazer tradicional até aos dias de hoje.

Formas de comercialização: O “Sal de Castro Marim” pode apresentar-se tal qual ou moído e tanto o “Sal de Castro Marim” como a “Flor de Sal de Castro Marim” podem ser aromatizados com misturas de especiarias e/ou ervas aromáticas e com vinho licoroso, sendo depois acondicionados em recipientes destinados à venda ao consumidor final.

Disponibilidade do produto ao longo do ano: Durante todo o ano.

Historial do produto: A ligação de Castro Marim à atividade salineira vem de longa data, tornando-se quase impossível determinar a data precisa do seu início. Na Época Romana, entre o século I e século IV da nossa era, o sal aparece associado aos centros de transformação de pescado no litoral algarvio. A primeira referência escrita sobre o sal de Castro Marim remonta aos finais da Idade Média e corresponde à primeira Carta de Foral, outorgada por D. Afonso III, com data de 8 de Julho de 1277.

Representatividade local: A salicultura tradicional em Castro Marim representa uma das atividades mais relevantes e com maior impacto socioeconómico na comunidade local. A exploração deste recurso, a par da pesca e da agricultura, fazem parte da economia desta região, marcando a cultura e a vivência da população local.

Fonte: Terras de Sal – Comércio e Transformação de Sal Marinho Tradicional, CRL